sábado, 9 de maio de 2009

Os Anzóis na Pesca

Os Anzóis na Pesca

Um dos factores que maior incidência tem nos resultados da pesca desportiva é a correcta eleição do anzol a utilizar. O Anzol é a ligação final que nos permite capturar o peixe, se for escolhido arbitrariamente podemos não obter os resultados pretendidos já que pode alterar a apresentação da isca. A nossa iscada deve por conseguinte ter o máximo de liberdade e reagir ás correntes e às vagas com a maior ligeireza e naturalidade possível. Além disso, a forma e o tipo de anzol deve corresponder ao tipo isca utilizada. Todos estes factores têm que ter alguma base de conhecimento que vamos partilhar aqui de forma simples.

Anatomia do Anzol

Falemos das partes de um anzol

O Olhal: É por onde a linha é atada ou, por onde esta passa ou para atar à haste. O olhal do anzol pode ser de diferentes tipos, nomeadamente pode ser do tipo patilha, muito nosso conhecido ou argola. Parece não influir na pesca mas tem a sua influência, já que leva o anzol a ter diferentes apresentações na água. Os anzóis que nós utilizamos com o olhal para cima (direito em relação à haste) tendem a manterem-se direitos quando descem na coluna de água. Os com olhal inclinado tendem a ir inclinados para cima. Muitas vezes isto não influi no toque, mas sim na subtil deslocação do anzol na água. Ao empatarmos um anzol de olhal de argola, qualquer que seja a sua posição, devemos sempre fazer sair a linha por dentro desta.

A Haste: Tem uma função específica e importante e dividem-se em três grandes grupos. Haste curta, standard e longa. É lógico que ao iscarmos um anzol de haste longa conseguimos colocar uma maior quantidade de isca no anzol do que num de haste curta. A haste longa também evita que os dentes da presa cortem a linha.
Há anzóis que têm pequenas farpas na haste que servem para “prender” o isco à haste e aumentar a eficácia da ferragem do peixe. Logicamente são mais difíceis de tirar na hora de querermos soltar o peixe.

A Curvatura: É a parte do anzol onde é efectuada a maior força quando ferramos um peixe. Existem diferentes curvaturas em função do tipo de boca do peixe e à sua forma de comer.

A Abertura: Tem a ver directamente com a espécie que queiramos pescar e o tamanho de sua boca e também a forma de comer.

A Ponta: Quando o bico dos anzóis não serve por não estar devidamente afiado ou não ser o correcto o mais provável será que não sintamos o toque. Existem vários tipos de bico: Tipo agulha, agulha com barbela, com micro barbela, sem barbela, bico torcido etc.
Devemos sempre ter os bicos dos nossos anzóis bem afiados e escolher o que mais se adapte à espécie que estamos a procurar.
Existem barbelas de diferentes tamanhos. Quanto mais pequena for a Barbela, maior deverá ser o bico.

Existe uma diversidade de modelos tão ampla, que fazem duvidar o mais experimentado. Por isso dar-lhe-ei aqui umas noções básicas para que não cometa muitos erros.

Na escolha dos anzóis, o que primeiro se deverá pensar é:
- Quais são as espécies possíveis de encontrar no local de pesca.
- Depois terá de fazer um cálculo do tamanho e o peso médio das espécies que pensa capturar
- Por último que isco vai utilizar.
Se conseguiu obter resposta para estas interrogações então já está a meio caminho de escolher o anzol correcto. Lembre-se que nem sempre, a peixe grande corresponde anzol grande, já que há espécies que possuem uma boca pequena em proporção ao corpo.
O comprimento da haste do anzol tem relação com a iscada a utilizar, por exemplo se colocamos um filete de sardinha, logicamente precisaremos um anzol longo, se vamos iscar outro pedaço de isca menor (caranguejo, ameijoa, etc.,) precisaremos de um anzol proporcional ao seu tamanho incluindo a "abertura"e a "curva" do mesmo.
Os anzóis têm formas diferentes, dependendo da maneira como se alimentam as espécies. Nunca devemos esquecer que eles são parte importante dentro da arte de simular um alimento para o peixe. A prática irá levar-nos a optar pelos nossos preferidos de acordo com os resultados obtidos.

Sabemos que é difícil obtermos a iscada perfeita, no entanto sabemos também que esta deve apresentar-se e comportar-se o mais natural possível, devendo da nossa parte respeitar alguns preceitos técnicos básicos, do binómio anzol/isco, para que isso aconteça.

Quais os anzóis que são necessários para iscar os vermes?

Os vermes são apreciados por numerosas espécies de peixes. Na maioria dos casos são utilizados para mar calmo, mas nem sempre. A escolha do anzol varia por conseguinte em função das condições que este se encontra. O ponto comum à maioria dos vermes é a maneira como ele é iscado no anzol: em geral, enfia-se através de uma agulha. É necessário por conseguinte que o anzol possa deixar facilmente passar o corpo, às vezes frágil, do animal. A espécie de verme escolhida determina por conseguinte o tipo de anzol a utilizar: Com patilha (empatado por uma ligação) ou com argola (empatado por um nó). Os anzóis com patilha são aconselhados para os vermes de pequeno diâmetro (coreano, teagem e outros). Empatados de maneira correcta estes anzóis permitem enfiar os vermes sem os danificar, devendo aqui ser utilizado o empate para anelídeos, em que as duas pontas da linha de empate saem para o mesmo lado e no sentido do Olhal. Nos anzóis com argola devem ser utilizados apenas os vermes grossos e grandes como os arenicolas, no entanto é necessário escolher uns que tenham umas argolas pequenas, como pode ser o caso dos anzóis chamados Aberdeen.

Resta de seguida determinar a forma do anzol a utilizar. Terá a escolher entre dois tipos distintos de forma: Os anzóis direitos e os anzóis curvados.
Os primeiros possuem uma ponta situada perfeitamente no eixo da haste. Em geral são aconselhados para montagens com anzóis que devam evoluir a meia água. Os segundos possuem uma ponta desalinhada com o eixo da haste. Esta concepção permite ao anzol girar na boca do peixe. São mais eficazes para todas as pescas que impliquem uma apresentação do isco directamente no fundo.

Façamos aqui um aparte sobre os anzóis Aberdeen, ou anzóis de haste longa, dos quais já falamos previamente. Estes modelos possuem uma haste mais longa que o normal. Vêm equipados exclusivamente com argolas. Eles são indicados por conseguinte para os vermes de bom diâmetro e prestarão uma ajuda não negligenciável com mar forte.

Quais os anzóis que são necessários para iscar os mariscos?

Os mariscos oferecem volumes de iscadas claramente mais consequentes que os vermes. Os toques são mais abundantes e podem colocar sérios problemas de ferragem, quando o bico do anzol está tapado em demasia. A regra básica é por conseguinte escolher anzóis cujo tamanho entre o bico e a haste seja o mais adequado possível com o isco, para que o bico do anzol fique de fora. A este respeito, é necessário aqui frisar que o bico do anzol deve ficar completamente liberto, já que não é ele que vai assustar o peixe.
Não hesitem em usar anzóis de forte constituição. Os anzóis aconselhados para os mariscos são geralmente modelos de argola. Escolham formas com curvaturas tipo “Chinu” ou” Round” com hastes curtas mas resistentes, porque os mariscos são frequentemente apreciados por peixes grandes. Uns anzóis também utilizados são os Octopus. São curtos, sólidos e possuem uma boa distância entre o bico e a haste. Para todas as iscadas de marisco, é muito importante o uso do fio elástico. O fio elástico é quase invisível e aperta o isco sobre os anzóis, evitando que a isca se solte com o lançamento ou que não seja tirada pelos pequenos peixes.

Quais anzóis que são necessários para iscar outros iscos?

Os iscos carnudos são muito diferentes uns dos outros. Por exemplo, caranguejos, camarões e iscos vivos têm todas as suas particularidades. Convém por conseguinte escolher o anzol em função do isco seleccionado. Sempre que utilizarem um isco vivo, devem preocupar-se em escolher uns anzóis o mais ligeiros que possível atendendo a que, ao iscá-lo devem fazê-lo sem impedir uma boa natação ao nosso isco. Descubram quais os anzóis a empregar e como iscar alguns iscos carnudos mais correntes:
Iscar caranguejos: O caranguejo apresenta-se inteiro e vivo ou cortado em dois bocados ou mais, dependendo do seu tamanho. O primeiro método necessita anzóis curtos e redondos, de patilha ou argola. Escolham anzóis de tamanho adequado. Para isso, tenham em atenção que o bico não esteja afastado mais do que um milímetro da carapaça do animal, pois temos de ter em conta o lançamento. Para um caranguejo cortado aos bocados, enfiar o anzol no pedaço de caranguejo e seguidamente atá-lo com algumas voltas de fio elástico.

Iscar camarões. A qualidade essencial de um anzol para iscar camarão é a ligeireza. Para este tipo de isco a iscada faz-se pela cauda. Devem ser escolhidos os modelos de carbono. Um anzol de patilha e mais ligeiro é adequado. A forma é preferivelmente direita, o anzol que não deve apresentar a ponta descentrada, torcida. Enfiar o camarão pelo segundo ou o terceiro anel da cauda.

Iscar isco vivo. O isco vivo não é sedutor se não estiver bem vivo e vigoroso. Existem diversas formas de iscar um isco vivo, vamos no entanto propor dois métodos diferentes para apresentar um isco vivo, onde a ligeireza do anzol volta a ser importante. Especialmente porque procuramos peixe de maior dimensão, os anzóis devem ser sólidos. A primeira técnica (de longe conhecida) é iscar o peixe pelo rabo ou pela boca. Iscá-lo pela boca é uma má solução, porque isso impede o peixe vivo de se oxigenar. A melhor solução será por conseguinte iscá-lo pelo rabo. O anzol deve ser espetado sob a barbatana dorsal de rabo. Escolham um anzol de tipo Octopus e certifiquem-se de escolher um com tamanho que permita deixar a sua ponta livre. A segunda técnica consiste a amarrar um pedaço de fio passando nas narinas do peixe. Este pedaço de fio é unido seguidamente ao anzol. Este método é de longe mais eficaz, porque não traumatiza o isco vivo e dá-lhe toda a liberdade que ele tem necessidade.
Os anzóis aconselhados para este tipo de montagem são o circle hook. São reconhecíveis pela sua forma circular. A sua ponta encontra-se virada acentuadamente para a curvatura. São concebidos precisamente para este tipo de utilização. O isco vivo é ligado à argola do anzol, ficando então totalmente livre na frente do focinho do peixe. Com tal montagem, asseguramos à nossa isca viva total autonomia e uma eficácia temível.

Contrariamente ao que se julga crer, o pescador em surfcasting não tem necessidade de um elevado do número de referências de anzóis Três ou quatro formas em dimensões diferentes levam-nos a ter no máximo uma quinzena de modelos, sendo por conseguinte, pouco dispendiosos e fáceis de ter uma amostragem completa de anzóis.

Conselhos (Senso comum)

A escolha e a manutenção

Os anzóis devem ser objecto de todas as atenções. Não negligenciem nunca este acessório. Um erro na escolha pode conduzi-los a sérios problemas e grandes decepções. Escolham sempre o anzol que corresponde melhor ao tipo de iscada seleccionado, à sua forma, ao seu volume e ao comportamento que espera dessa iscada. Todos os iscos vivos necessitam anzóis ligeiros, tomem um cuidado especial a verificar a densidade/espessura dos vossos anzóis aquando das vossas compras. É também necessário verificar regularmente estado dos que tem em stock. Para evitar que sofram demasiado com a corrosão, devem colocar, por exemplo, alguns grãos de arroz nas vossas caixas. O arroz absorve a humidade e preserva duravelmente o vosso investimento. O mesmo cuidado de observação para os bicos. Saibam que se o bico for quimicamente afiado os anzóis picam melhor e ferram mais rapidamente Os modernos anzóis de carbono, não deveriam ser utilizados mais do que duas vezes, no máximo, mas todos sabemos que são utilizados mais vezes, por questões económicas. Tomem por conseguinte o cuidado de verificar sistematicamente a ponta de um anzol (bico e farpa) que já tenha sido utilizado.
Uma má escolha do anzol pode fazer-vos falhar a captura de um bom peixe por várias razões. Demasiado pequeno, o anzol não é suficiente para a iscada, não deixando o bico liberto suficientemente para a ferragem. Demasiado grande, pode não caber na boca do peixe. Demasiado fino, o nosso anzol pode abrir-se durante o combate ou partir-se quando o peixe o morder. Demasiado grosso, pode dar à nossa iscada um aspecto pesado, pouco natural. Certos peixes como o Robalo ou a Dourada são muito sensíveis à apresentação e ao comportamento das iscadas podendo rejeitá-las imediatamente. Um anzol quando perde o seu bico afiado, traz-nos inevitavelmente problemas de ferragem. Sejamos por conseguinte intransigentes quanto à qualidade e à escolha dos nossos anzóis; Eles são o pilar final da nossa estratégia!

Exemplo de uma selecção de anzois vs iscadas:

– Anzol Octopus (dimensões 1, 2/0 e 4/0); mariscos, isco vivo, pedaços de peixe e cefalópodes.
– Anzol Direito (dimensões 6, 4, 2 e 1); vermes pequenos e /ou finos, camarões pequenos isco vivo.
– Anzol Aberdeen (dimensões 4, 2 e 1/0): vermes grandes, pequenos mariscos tipo ameijoas, mexilhão, etc.
– Anzol Redondo (dimensões 4, 2, 1, 1/0 e 2/0); caranguejos, vermes médios e grossos.
– Anzol Circle Hook (dimensões 1/0, 2/0, 4/0); iscos vivos.

Boas pescarias!

Paulo karva

4 comentários:

Ernesto Lima disse...

Viva Paulo!

Parabéns pela consistência, técnicismo e interligação dos artigos que aqui tens, onde este último, o dos anzóis, se integra na pefeição.

Abraço

Ernesto

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Obrigado pelo comentário. Tentamos fazer alguma coisa simples enquanto o tempo não permite umas saídas.

Abraço

Paulo karva

Ser disse...

Olá amigo Paulo,

tudo de bom para a continuação deste teu Blog.

Sérgio Martinho

Paulo karva disse...

Viva Sérgio

Obrigado pelo teu comentário.
Vamos fazendo alguma coisa devagar, não temos pressa. LOL

Abraço

Paulo karva