segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Linhas de pesca - 2ª parte

Multifilamento

A linha de pesca trançada tem sido utilizada por pescadores profissionais e pescadores de alto mar nos últimos tempos e é fabricada a partir de fibra de polyester (Dacron). O peso específico desta fibra (Dracon) é mais elevada que a da água, absorvendo-a por isso, pelo que esta linha pode afundar. Em meados da década de 90, surgiu uma alternativa no mercado. Tratou-se de um novo tipo de fibra com o nome de Dyneema ou Spectra. O sucesso desta fibra sintética de Polyethylene, foi estrondoso.

Dyneema é uma fibra HMPE (High Modulus PolyEthylene/Alto Modulo polyethylene) feita a partir de UHMWPE(Ultra High Molecular Weight Polyethylene/ Ultra-alto peso molecular).

A teoria básica sobre a forma das fibras de Polyethylene já estava disponível nos anos trinta. Demorou quase meio século de alto desempenho para produzir as fibras de Polyethylene(HPPE)...

Em 1979, a DSM inventou e patenteou esta fibra e um processo de tecelagem de produzi-la, através do chamado gel de fiação. Este material é fabricado e comercializado a nível Mundial desde 1990:

- Pela DSM High Performance Fibers BV, ( na sua fábrica em Heerlen na Holanda) que é proprietária da patente e que produz Dyneema (utilizada pelas conhecidas marcas, Whiplash, FireLine, Herculine, etc.).

- Pela Honeywell Performance Fibers (dantes AlliedSignal, Inc.), quem tem uma licença de DSM para produzir com o mesmo material fibras de Spectra (utilizada pejas conhecidas marcas, PowerPro, SpiderLine, etc.).

- Pela companhia japonesa, Toyobo Co. LTD, que associada com a DSM e sob licença desta, produz também fibras de Dyneema para o mercado Asiático.

A produção de fibras Dyneema é pouco exigente para o meio ambiente já que necessita de pouca energia e não utiliza produtos químicos agressivos.

O produto final pode ser facilmente reciclado de forma que a poluição ambiental através dos produtos e processos utilizados é mínima.

A teoria básica sobre como produzir uma fibra super-forte como o PolyEthylene, através do processo de “gel-spinning”, é fácil de compreender.

O PolyEthylene, com um ultra-alto peso molecular (UHMWPE), é utilizado como material de base. Em condições normais, no Polyethylene as moléculas não são orientadas e são facilmente desfeitas.

Neste processo de “gel-spinning” as moléculas são dissolvidas num solvente e em seguida, a matéria daí resultante, passando por pequenos orifícios, é fiada através de uma fieira.

Sucessivamente, a solução fiada é solidificada pelo frio, que fixa uma estrutura molecular, que contém uma malha (filamentos) de muito baixa densidade da cadeia molecular.
Na solução as moléculas formam clusters no estado sólido resultando numa fibra com uma muito alta resistência.

Chamada de Dyneema, esta fibra já nossa conhecida, é caracterizada por ter uma estrutura cristalina de quase 100%, com as moléculas perfeitamente dispostas em paralelo, o que origina a sua alta resistência, e outras excelentes propriedades.

As suas principais características técnicas são:

Tabela das características técnicas da fibra Dyneema/Spectra




















Dyneema é pois uma fibra de Polyethylene ultra-resistente produzida através de um
processo de tecelagem patenteado como já foi referido. Esta fibra é especial e é até 15 vezes
mais resistente que o aço. Ela possui altíssima absorção de energia e elasticidade mínima.
Esta fibra flutua na água e é extremamente resistente à: abrasão, humidade, raios UV e produtos químicos.
As linhas trançadas Dyneema e Spectra são todas básicamente o mesmo filamentos de linha
com base de Polyethylene.




Esta linha flutua porque tem peso especifico de 0,97gr/cm³ enquanto a água tem 1,0 gr de peso. Há muitas linhas trançadas no mercado, e nós devemos de conhecê-las antes de as comprar. A maior parte das diferenças vêm da forma dos revestimentos, dos filamentos e das cores. A forma dos trançados é constituída por: 3, 4, 8 e 16 cabos/filamentos.

As marcas mais conhecidas, tais como PowerPro, Spiderwire, Fireline e a maioria das PE ( de PolyEthylene, designação que os japoneses atribuem a estas linhas) são trançados com 4 cabos/filamentos.

Cada cabo/filamento é composto de uma série de microfibras (entre 50 a +/-100) muito finas. As linhas trançadas, com 4 cabos/filamentos têm uma forma quadrada, mas com linhas finas, e a olho nu, parecem redondas.

Existem algumas linhas trançadas com 8 ou 16 finos cabos/filamentos que são usadas principalmente para jigging.

A qualidade de uma linha trançada está dependente de alta qualidade sobre o material de base, do número de filamentos, do processo de fusão, do trançado de precisão, bem como do posterior acabamento, já que graças à combinação de diferentes tipos de fibra num trançado, é possível a criação de características especificas individuais.

A incorporação de fibras leves ou mais pesadas ou até mesmo a inserção de um núcleo de chumbo (caso das linhas afundantes) gera diversos tipos de linhas com requisitos diferentes,
que como já se referiu são atribuídos pelas marcas na fase de acabamentos. O perfil da linha, oval ou redonda, está dependente do número de filamentos, com o qual a linha é trançada. Uma linha trançada com 3 cabos/filamentos (valor mínimo) será sempre mais económica.

As linhas de Multifilamento podem ser elaboradas através de dois processos, por Fusão ou Trançadas.

Fusão: As linhas fundidas são assim chamadas por serem feitas de vários filamentos colados e não trançados cobertos por uma camada de material de plástico, (capa) que faz com que tenham uma aparência lisa. São linhas geralmente um pouco mais rijas, devido ao seu revestimento espesso. A desvantagem destas linhas está na sua construção, já que se ao roçar num obstáculo e se romper o revestimento, as fibras por não serem trançadas são mais frágeis
à rotura.

Trançadas: As linhas trençadas modernas desenvolveram-se graças a uma tecnologia avançada. O Polyethylene depois de passado pelo processo de tecelagem é convertido numa estrutura cristalina específica. A orientação das estruturas das fibras é disposta num eixo longitudinal, criando uma resistência muito alta no mesmo eixo e este tratamento deixa a
linha muito flexível, suave e resistente aos agentes químicos e raios UV. O seguinte passo permite fundir as dezenas de micro fibras num único cabo/filamento, desenvolvendo assim a resistência mais alta possível.

Conforme as marcas, os acabamentos finais variam, desde a existência de uma capa protectora, passando pelo número de micro fibras usado até à forma do trançado.

Como resultado final temos a uma linha:

- 15 vezes mais resistente que o aço
- Incrivelmente fina comparando com sua resistência
- Com perfil arredondado e de característica suave
- Com escassa memória
- Com muito pouca elasticidade (de 3% a 7% contra o 25% a 30% do nylon)
- Maior resistência à tracção e à abrasão no respeito a um nylon do mesmo diâmetro
- Que permite um lançamento suave e muito mais longo
- Resistente a produtos químicos e raios UV
- Sensibilidade máxima (contacto directo com o peixe)
- Vida útil muito maior por não ressecar e não ter memória
- Resistência até 5 vezes maior para o mesmo diâmetro do monofilamento
- Superfície de ataque menor na água devido ao menor diâmetro

Diâmetro - uma característica subjetiva.

Muitos pescadores sentem-se inseguros – devido á forma como estão acostumados com o monofilamento - na medição do diâmetro de uma linha trançada fazendo-o por estimativa de acordo com a sua sensação.

Uma vez que o diâmetro do corpo da linha trançada, não se pode medir com precisão, devido ao facto de não ser redonda, o valor declarado nos rótulos não é assim exacto. Por isso, uma medição é apenas um cálculo possível. Por este motivo deve-se comprar uma linha trançada de acordo com a sua resistência á rotura em vez de, com um determinado diâmetro especifico que não pode ser provado.

Algumas situações em que o Monofilamento terá vantagem são por exemplo:

- Lançando amostras ultra ligeiras.
- Utilizando uma recuperação muito lenta com muitas pausas.
- Utilizando carretos que não fazem a recuperação em espirais cruzadas.
- Em pesqueiros de alta abrasão (zonas de pedras) com lances relativamente curtos.

Em termos de defeitos que possamos considerar, o mais evidente é a escassa resistência à abrasão. Outro defeito é a tolerância aos nós. O multifilamento por natureza escorrega e
isto é o pior que pode acontecer para a tolerância de um nó. Por esta razão deveremos ter em conta o número de voltas necessárias para os fazer, umas poucas voltas de diferença e o nó pode vir a dar problemas. Sobre o preço, um bom trançado dura muitíssimo mais que um nylon, e seu maior preço de compra é compensado pela sua longa longevidade

Por último uma chamada de atenção: Verifiquem sempre os primeiros 20 metros da linha na procura de alguns danos que possa ter. Caso encontre falhas, cortes, etc., deverá remover a linha. Após uma jornada de pesca, passar por água doce e armazenar a linha em um lugar seco. A linha terá um longo tempo de vida, se forem tomados os devidos cuidados.


Boas pescarias

Paulo karva

5 comentários:

Anónimo disse...

Prezado amigo, duas perguntas, se possível...
Me informaram que a Dyneema é um tipo de linha para pesca de fundo (porque ela não flutua), e a spectra seria para pesca de superfície (pois flutua na água).Está correto? Qual a interpretração técnica da palavra Braid, em alguns carreteis de linha multi? - grato.

Paulo karva disse...

Viva
Em termos gerais não está correcto, já que a linha Dyneema e a Spectra é básicamente a mesma linha.
O processo de fabrico é o mesmo. A Spectra é fabricada no Continente Americano sob licença da Dyneema.
As Marcas têm uma vasta gama de modelos de linhas, que se destinam aos diferentes tipos de pesca conhecidos desde, desde o Flyfishing ao Big Game. Todas as suas diferentes características são dadas na fase de acabamentos no revestimento que recebem onde se introduzem por exemplo as cores, a suavidade, a transparência, etc.,
As linhas que afundam existem em quase todas as marcas e possem pequenos filamentos de chumbo que lhe são adicionados aquando dos acabamentos. Pode acontecer que na Região onde vive só comercializem as Dyneema que afundam e as Spectra que flotuam.

A segunda questão não consigo perceber bem. Mas penso que se refere a carreteis destinados ou com a designação para o uso de linhas Braid. Se assim fôr julgo que se referem á forma como fazem o enrolamento da linha na bobine que deve ser em Spiral ou cruzado e não em paralelo, para a linha ter uma boa saída e para não provocar os célebres "ninhos".

Abraço

Ernesto Lima disse...

Viva Paulo!

Está cá tudo!

Não falha nada! Um autêntico curso sobre o assunto!

Parabéns, mais uma vez!

Abraço!

Ernesto

Paulo karva disse...

Viva Ernesto

Mais uma vez obrigado pelo teu comentário.

Abraço
Paulo karva

Helder Marques disse...

Aqui aprende-se realmente :)
Obrigado